Publicado em 31 de janeiro de 2019

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Evento integrou as atividades do Janeiro Roxo no Ceará e reuniu médicos, enfermeiros, dentistas e profissionais da estratégia de Saúde da Família

Profissionais de saúde do município de Fortaleza tiveram uma tarde de atualização sobre o manejo clínico, epidemiológico e operacional da hanseníase nesta quarta-feira, 30. O 1º Fórum Temático de Hanseníase foi realizado na Escola de Saúde Pública do Ceará, voltado para médicos, enfermeiros, dentistas, agentes comunitários de saúde e outros profissionais da atenção primária. A atividade fez parte das mobilizações do Janeiro Roxo, mês de conscientização sobre a doença.

“A oportunidade que vocês têm jamais poderá ser perdida. Não pensem na hanseníase só no mês de janeiro. Que este seja um alerta para todos os dias de trabalho de vocês”, estimulou Anamaria Cavalcante, da Secretaria Municipal da Saúde de Fortaleza (SMS Fortaleza) durante fala de abertura do evento. Na Capital, foram diagnosticados 332 novos casos da doença em 2018.

Araci Pontes, diretora técnica do Centro de Dermatologia Dona Libânia, apresentou aos participantes os principais desafios para controle da hanseníase, como a detecção da doença em homens idosos, o manejo das reações hansênicas e a prevenção de incapacidades. Compartilhando detalhes sobre os casos que chegam ao hospital de referência, Araci orientou os profissionais da atenção primária sobre a responsabilidade das equipes da Estratégia de Saúde da Família (ESF) em fazer a busca ativa de casos e acompanhar o tratamento nas unidades de saúde.

O projeto PEP++ foi apresentado ao público por Alexandre Menezes, coordenador da pesquisa no Brasil. O ensaio clínico trará a abordagem de profilaxia pós-exposição para contatos de casos de hanseníase diagnosticados nos últimos cinco anos, alcançando os municípios de Fortaleza, Sobral e Maracanaú e buscando prevenir a evolução da hanseníase em pessoas que foram expostas ao bacilo de Hansen. Foram contextualizadas as iniciativas anteriores de quimioprofilaxia com a dose única de rifampicina, que baseiam a pesquisa para verificar a eficácia de um novo esquema reforçado de antibióticos: rifampicina, moxifloxacina e, em casos específicos, claritromicina. O PEP++ também será implementado na Índia e na Indonésia, com coordenação geral da Netherlands Leprosy Relief (NLR). 

Hanseníase no Ceará

A situação da hanseníase no Ceará foi discutida por Gerlânia Martins, articuladora do programa de Hanseníase na Secretaria da Saúde do Estado do Ceará (Sesa). O estado registrou 1,4 mil novos casos em 2018. Os dados mostram que a taxa de detecção caiu pela metade em dez anos. No entanto, Gerlânia provocou os participantes a questionar se os números refletem a realidade.

Os argumentos para que a queda no índice são as poucas alterações na detecção de casos entre crianças e adolescentes até 15 anos, casos com grau 2 de incapacidade física e o fato de que 68% dos casos diagnosticados são da forma multibacilar, considerada uma manifestação mais agressiva da doença. “Quero que pensem no território de atuação de vocês. Que pensem: apesar destes números, como está a minha comunidade, como está a detecção e o exame dos contatos na minha área?”, estimulou Gerlânia.

O fórum contou ainda com informações focadas no manejo das incapacidades causadas pela hanseníase, uma conversa conduzida pela terapeuta ocupacional Suziane Franco, e orientações sobre a reabilitação destas incapacidades com Fernanda Kucharski, enfermeira e especialista em Saúde da Família e Tisiologia.