Doenças Tropicais Negligenciadas (DTN)

Conheça mais sobre a doença

Elas são um conjunto de doenças causadas por agentes infecciosos ou parasitas em populações de baixa renda especialmente na África, na Ásia e na América Latina. Predominam nas regiões tropicais em desenvolvimento e acometem pessoas em situação de vulnerabilidade. Pobreza, acesso limitado à água limpa, condições precárias de higiene e de saneamento são alguns dos determinantes sociais.

São consideradas negligenciadas por não terem a devida atenção no atendimento médico e no desenvolvimento de medicamentos. Conforme dados Organização Mundial de Saúde (OMS), este grupo diverso de doenças prevalece em 149 países tropicais e subtropicais, afetando mais de 1 bilhão de pessoas no mundo.

A classificação da OMS atualmente inclui 20 doenças tropicais negligenciadas. Conheça algumas das doenças presentes no Brasil: 

Doença de Chagas

Descoberta pelo médico brasileiro Carlos Chagas em 1909, a doença é causada pelo parasita Trypanosoma cruzi. Ela tem cura se for tratada na fase aguda. Sem tratamento, pode evoluir para as formas crônicas, manifestadas em complicações cardíacas, digestivas ou mistas.

Os principais sintomas na fase aguda são febre prolongada por mais de 7 dias, dores de cabeça, fraqueza e inchaço no rosto e nas pernas. Em transmissão oral, também ocorrem dores de estômago, vômitos e diarréia. Em casos de complicação cardíaca, pode haver falta de ar, tosse e acúmulo de água no coração e no pulmão.

Dengue 

Transmitida pelo mosquito Aedes aegypti, a dengue se espalhou rapidamente no mundo nos últimos 50 anos. Pelo menos dez países entraram para a lista de afetados pela doença. A resistência do mosquito aos inseticidas e o surgimento do sorotipo 4 desafiam a comunidade científica no controle da doença.

A estimativa é que a dengue tenha entre 50 e 100 milhões de infecções por ano em 100 países endêmicos. Quando manifestados, os sintomas são febre alta entre 2 e 7 dias, dores de cabeça, dores no corpo e articulações e erupções cutâneas. A forma grave da doença pode levar a choques hemorrágicos, o que pode ocasionar a morte do paciente.

 

 

Esquistossomose (barriga d’água)

No contato com a água infectada com o parasita Schistosoma mansoni (no Brasil) em forma de larva, a doença é transmitida aos humanos e pode causar danos severos e a morte do paciente. A larva é liberada por caramujos presentes na água, que antes recebem ovos do parasita liberados na urina ou nas fezes de humanos infectados.

A doença se manifesta em fase aguda com sintomas como coceiras, febre, perda de apetite, diarréia, vômitos e perda de peso. Em fase crônica, os sintomas podem sumir, com episódios de diarréia alternados com constipação (intestino preso). A doença pode evoluir para aumento do fígado, cirrose, aumento do baço e acúmulo de líquido na região do abdômen.

Leishmaniose

Grupo de doenças causadas por parasitas do gênero Leishmania, transmitidos para os humanos pela picada do mosquito flebótomo. São três formas de leishmaniose: cutânea (ou tegumentar), visceral (ou calazar) e mucocutânea. Apesar de ser infecciosa, a leishmaniose não é contagiosa. O Brasil está dentre os países mais endêmicos do mundo nos casos de leishmaniose.

A leishmaniose cutânea se manifesta por feridas na pele em partes descobertas, principalmente as mucosas do nariz, da boca e da garganta. Após duas ou três semanas da picada do mosquito, uma elevação da pele avermelhada aumenta de tamanho e evolui para uma ferida recoberta. Na doença mucocutânea, há destruição de membranas e tecidos do nariz, da boca e da garganta, podendo levar à morte por infecção das vias respiratórias.

A leishmaniose visceral afeta vários órgãos internos, principalmente fígado, baço e medula óssea. É mais frequente em crianças de até 10 anos, podendo durar meses ou mais de um ano. Dentre os sintomas, estão a febre irregular e prolongada, anemia, palidez, falta de apetite, perda de peso, indisposição e inchaço do abdômen pelo aumento do fígado e do baço.