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Entrevista - Informação é ferramenta para combater o preconceito

No Pará, o Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) incentivou a mobilização dos municípios para a campanha do Janeiro Roxo, que marca o mês de conscientização sobre a doença. Estimulando o debate do tema com a população e os governos, o movimento social alerta para o combate à doença e para o enfrentamento ao estigma ainda associado às pessoas atingidas por ela.

Nos dados parciais para 2017 apresentados pelo Ministério da Saúde, o Pará aparece entre os oito estados brasileiros que apresentam parâmetro muito alto ou hiperendêmico para a hanseníase. A cidade de Belém foi escolhida para sediar, no dia 31 de janeiro, o lançamento da campanha sobre hanseníase produzida pelo Ministério da Saúde. O evento contou com ampla presença de participantes do Morhan, tanto da Capital quanto de outros municípios. Para Edmilson Picanço, coordenador do Morhan no Pará, combater a hanseníase exige união de diversos setores. Confira entrevista: 

 

edmilson-picanço-morhan

NHR Brasil - Como o estigma se manifesta na vida das pessoas atingidas pela hanseníase? Por que há discriminação? 

Edmilson Picanço – Eu costumo dizer que é por pura falta de informação. A nossa campanha do Janeiro Roxo mostra que informação é saúde. É preciso dizer que, na década de 1930, as pessoas eram segregadas da sociedade por causa de uma política profilática do Governo Federal. Na época, a doença não tinha cura. E por essa medida profilática, [o Governo] teve que segregar, isolar as pessoas da sociedade em colônias de hansenianos no Brasil. Hoje não é preciso isolar ou segregar ninguém e não há motivo para discriminar os pacientes atingidos pela hanseníase. Principalmente porque hoje ela tem cura e tem um tratamento gratuito de seis meses a um ano, a depender da forma da doença, com acompanhamento de profissionais de saúde.

NHR Brasil - Como tem sido essa luta para levar mais informação sobre a doença no Pará?
Edmilson - O lançamento da campanha nacional foi aqui em Belém porque 100% dos municípios do Pará aderiram à campanha do Janeiro Roxo. Isso é inédito no estado. Todos aderiram à campanha, nunca se ouviu tanto falar em Janeiro Roxo no Pará! E isso é muito bom, tendo o compromisso da gestão estadual e dos gestores municipais em abraçar essa causa. O estado ainda está na condição de estado endêmico, com 2.427 casos em 2016. É um estado alarmante ainda. É preciso unir forças com a gestão nas esferas federal, estadual e municipal, com profissionais de saúde e movimentos sociais. O Morhan tem essa prerrogativa de estar aqui no lançamento cobrando dos gestores um tratamento e um programa mais eficaz para combater a hanseníase no nosso estado. Não pode ficar só na falácia, não pode ficar só na apresentação de dados. Tem que ir para a prática, tem que agir, ir a campo fazer essa busca e exame de contatos das pessoas acometidas pela hanseníase.

NHR Brasil - Quais foram as principais atividades do Janeiro Roxo nos municípios que aderiram à campanha?
Edmilson – Cada município aderiu à campanha. Muitos fizeram palestras nas unidades de saúde, outros fizeram campanhas nas feiras, nas igrejas, panfletagem nas praças. Em Marituba, por exemplo, fizemos uma abertura da campanha na Câmara dos Vereadores, palestras para os agentes comunitários de saúde com os voluntários do Morhan, fizemos um Dia D da hanseníase. Na próxima semana [primeira semana de fevereiro], ainda faremos uma mini campanha em um bairro de Marituba, incentivando todos para que façam a mesma coisa. Mas não adianta fazer nada disso se não tiver condição estrutural de manutenção dos insumos e medicamentos para tratar a doença, incentivo dos profissionais de saúde e a união de todos.

NHR Brasil - Quais são as principais mensagens que devem chegar à sociedade sobre a doença?
Edmilson – Como movimento social de 37 anos de existência, temos uma mensagem do nosso fundador que dizia: “hanseníase não se cura só com remédio, se cura com amor”. Então a gente pede que as pessoas não discriminem aqueles que elas imaginam que tenham hanseníase. A gente tem que estar preocupado com as pessoas que estão sendo diagnosticadas agora com a doença, com os familiares que estão morando com essas pessoas. Então é preciso dizer que ao ver manchas esbranquiçadas que não coçam e que não doem, procure um posto de saúde. Parece pano branco ou impingem, mas não é. Ela é dormente. E ao ser diagnosticado, procure fazer imediatamente o tratamento. A primeira dose do medicamento já elimina 99% do bacilo [de Hansen]. Então ela deixa de transmitir para outras pessoas. E as vias de transmissão são pelas vias aéreas superiores: pelas gotículas da boca e do nariz. É bom dizer também que, de 100 pessoas que têm contato com o bacilo, 96 não manifestam hanseníase.

 

Para saber mais sobre o movimento social, confira o site do Morhan

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