Hanseníase

Conheça mais sobre a doença

O Brasil é o segundo país do mundo em número absoluto de pessoas atingidas pela hanseníase, conforme dados da Organização Mundial de Saúde (OMS). Em 2016, foram 25,2 mil novos casos registrados no Brasil. A Índia aparece em primeiro lugar, com 135,4 mil novos casos. O terceiro país em números absolutos é a Indonésia, com 16,8 mil novos casos em 2016.

Em relação aos últimos 15 anos, os casos de hanseníase no Brasil diminuíram. Em 2001, por exemplo, foram registrados 45,8 mil novos casos. Mas a situação segue preocupante: a taxa de prevalência por 10 mil habitantes chegou a 1,10 em 2016. Para a OMS, a doença é eliminada como problema de saúde pública quando esta taxa é inferior a 1.

Dentre os novos casos, cresce o número de pessoas avaliadas com grau de incapacidade física 2 (GIF 2) - indicando incapacidades e deformidades mais severas nos olhos, mãos e pés, dentre outros. Em 2016, 7,9% dos casos avaliados ficaram na classificação de GIF 2. Esta porcentagem havia sido de 7,5% em 2015.

Dos novos casos em 2016, 1,6 mil foram diagnosticados em crianças e adolescentes com idade inferior a 15 anos. A prevalência em crianças indica que há circuitos ativos de transmissão em áreas mais endêmicas. Assim, é necessário identificar pessoas atingidas pela hanseníase próximas a estas crianças ainda sem acesso ao diagnóstico e ao tratamento.  

A hanseníase

É uma doença infecciosa crônica causada pelo Mycobacterium leprae (ou bacilo de Hansen), micobactéria transmitida pelas vias aéreas no contato com a pessoa doente que não está em tratamento. Ela atinge a pele e os nervos periféricos, podendo se manifestar em manchas com alteração na sensibilidade. Outra manifestação é o espessamento dos nervos periféricos, principalmente nos braços e nas pernas.

As primeiras notificações no Brasil ocorreram em 1600, no Rio de Janeiro. Acredita-se que a doença tenha chegado com os primeiros colonizadores portugueses, tendo a vinda dos escravos africanos como fator importante para a disseminação.

De alto poder incapacitante, a hanseníase é considerada um problema de saúde pública, podendo levar o paciente a incapacidades físicas permanentes, com quadros de atrofias, paresias e paralisias musculares quando não tratada ou tratada de forma tardia.

A doença ainda é acompanhada de um forte estigma social, tendo sido interpretada no passado como castigo divino e trazendo ao paciente repercussões psicológicas e dificuldades de convívio onde não há clareza de informações sobre as formas de contágio e tratamentos. 

Sintomas

Os sintomas podem demorar de 2 a 5 anos para aparecer após a infecção pelo bacilo de Hansen. Dormência, formigamentos e dores neurais são as alterações iniciais da infecção e consideradas como sintomas subjetivos. Os objetivos se manifestam pela paralisação do nervo, gerando amiotrofia (atrofia de tecido muscular) ou perda de força muscular.

O paciente pode apresentar manchas brancas, vermelhas ou acastanhadas em qualquer parte do corpo, além de caroços vermelhos ou acastanhados. Os locais mais comuns são rosto, orelhas, costas, braços, pernas e nádegas. Pode haver também a perda dos pelos nas manchas e até a perda dos cílios e das sobrancelhas.

As alterações da sensibilidade na pele também são sintomas objetivos e têm grande importância no diagnóstico: o paciente pode não sentir a diferença entre quente e frio, não reagir à dor ou não sentir o toque na área afetada.  

Na hanseníase, as áreas de perda ou diminuição de sensibilidade podem se manifestar em ilhotas envoltas por áreas de normalidade. A classificação operacional dos casos faz a diferença entre a hanseníase paucibacilar - com até cinco lesões de pele e um tronco nervoso acometido - e a multibacilar - com mais de cinco lesões de pele e/ou mais de um tronco nervoso acometido.

Transmissão

As gotas expelidas no momento da tosse, da fala ou do espirro de uma pessoa com hanseníase e que está sem tratamento podem carregar o bacilo que transmite a doença. Ele penetra pelas vias respiratórias no organismo e se instala principalmente nos nervos periféricos e na pele. Ele é transmitido para muitos, mas cerca de 90% das pessoas infectadas não desenvolvem a doença.

As chances de transmissão são maiores para quem convive por mais tempo com quem tem hanseníase ou com quem teve a doença nos últimos cinco anos. O cenário mais propício à transmissão é o ambiente fechado, com pouca ventilação e pouca luz solar. Após a infecção, os sintomas levam, em média, de dois a cinco anos para se manifestarem no corpo.

Para cada novo diagnóstico, os profissionais de saúde devem estar atentos para examinar os contatos sociais do paciente na busca de outros casos e numa estratégia para quebrar a cadeia de transmissão da doença. Os contatos intradomiciliares são pessoas que residem ou residiram com o paciente nos últimos cinco anos.

 

Prevenção de incapacidades

O diagnóstico em tempo oportuno ainda é a melhor forma de prevenir incapacidades e deficiências. A prática regular do autocuidado (técnicas e exercícios feitos regularmente na rotina) deve também ser ensinada ao paciente nas unidades de saúde durante o tratamento e após a alta.

O paciente deve ser orientado para evitar que a doença provoque danos físicos e psicológicos ou para evitar que as incapacidades já surgidas tenham complicações. Estas medidas são: buscar os serviços de saúde em caso de reações ao tratamento e dores nos nervos, buscar apoio e grupos para enfrentar as dificuldades do convívio social e aplicar as medidas de autocuidado.

 

Mitos e verdades

A doença é contagiosa?
Verdade. O contágio se dá pelas vias aéreas superiores, mas apenas com pessoas que têm a doença e estão sem tratamento. A micobactéria tem alto poder de transmissão. No entanto, cerca de 90% das pessoas contagiadas não adoecem.

Se eu tocar uma pessoa com hanseníase, eu pego a doença?
Mito. A transmissão acontece pelas gotículas expelidas na respiração, no espirro, na saliva ou na tosse da pessoa doente. O bacilo não é transmitido no contato direto com a pele.

A hanseníase tem cura?
Verdade. Com tratamento adequado utilizando a medicação fornecida na rede pública, o paciente pode ser curado entre 6 e 18 meses.

A doença atinge apenas regiões pobres?
Mito. Ela é transmissível a qualquer pessoa pelo convívio próximo e prolongado com um paciente sem tratamento. Porém, a superpopulação atrelada ao baixo nível socioeconômico, condições de higiene e desnutrição trazem condições mais favoráveis ao contágio. Assim, a prevenção também se dá pela melhoria na qualidade de vida da população.

Após o tratamento, o paciente pode voltar a ter hanseníase?
Verdade. Novos sinais e sintomas da doença após alta do tratamento com PQT configuram casos de recidiva. Eles são raros em pacientes tratados regularmente e aparecem aproximadamente a partir de cinco anos após a cura. Nestes casos, o paciente recomeça o tratamento com PQT adequada.

A pessoa atingida pela hanseníase deve ser afastada do convívio com outras pessoas?
Mito. O tratamento impede a transmissão do bacilo, e a pessoa pode continuar a convivência na família e na sociedade sem precisar ser isolada.


Mais informações:

Agência Fiocruz de Notícias

Secretaria de Vigilância em Saúde - Ministério da Saúde

Coordenação Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação - Ministério da Saúde 

Organização Mundial da Saúde