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A condição de saúde de Antônio impediu o sustento da família com a pesca

Da calçada da casa, é possível ver o açude. Era para onde Antônio José ia toda manhã em busca do sustento da família, sem hora para voltar. Esse ritmo foi interrompido no fim de 2018, com um infarto. A partir de então, ele foi descobrindo o que estava por trás dos episódios de cansaço que o acompanhavam durante a pesca.

Desde 2019, Antônio passou a maior parte dos dias na sala da casa. Isto quando não esteve em busca de atendimento médico. Hoje, aos 58 anos, ele respira com auxílio da oxigenoterapia. “Eu não aguento ir andando até a casa dos amigos. Se eu fico meia hora sem essa máquina, meu rosto vai ficando roxo”, detalha.

Para além das complicações de saúde, pesou também a preocupação com a situação financeira. Sem poder mais pescar, ele conseguia comprar alimentação e pagar as contas da casa com a ajuda dos filhos e com o dinheiro do Bolsa Família, recebido pela esposa. “Não passei necessidade, mas não é como ser o dinheiro da gente”, relembra.

Ele solicitou o Auxílio-Doença junto ao Instituto Nacional do Seguro Social. O benefício temporário é voltado para trabalhadores sem condições de exercer suas atividades de trabalho. Ele teve o pedido aprovado por três meses, logo deixando de receber o auxílio em 2019.

Apoio voluntário

Como morador de Jaibaras, distrito do município de Sobral, Antônio foi abordado pela equipe do projeto Desenvolvimento Inclusivo. Com diversas atividades e articulações, o projeto busca promover uma comunidade mais inclusiva, com acesso à saúde e aos direitos sociais para pessoas com deficiências e pessoas acometidas pela hanseníase.

Recebendo constantes visitas da equipe, Antônio foi acompanhado por Getisêmani Bezerra, advogada que começou a apoiar o projeto em 2020. Com a orientação dela, foi possível reunir mais documentos para comprovar sua atividade de pescador e as condições de saúde. No ano passado, ele teve acesso ao Auxílio-Doença aprovado por um ano.

“Eu sei que, pra mim, esse projeto foi muito bom. Eu acho que eu nunca tinha falado com uma advogada na vida”, comenta Antônio. O benefício trouxe mais segurança para as contas de casa e para comprar os alimentos da família.

No entanto, os preços de medicamentos e os gastos com energia elétrica continuam trazendo preocupação. Segundo Getisêmani, os próximos passos são auxiliar no processo de aposentadoria e buscar o auxílio na conta de luz – cujo consumo tem sido bem maior para manter a oxigenoterapia.

Antônio diz se sentir melhor ao receber sempre as visitas e o apoio da advogada. “Se a coisa apertar, eu já sei que posso procurar o projeto”, comenta.

Em Jaibaras, o projeto-piloto de Desenvolvimento Inclusivo promove a articulação com diversos atores, como os setores da saúde e da assistência social, e o diálogo com os moradores da comunidade para que apontem suas necessidades e demandas.