arlindo santos

Para Arlindo Santos, a vontade de fazer uma tatuagem foi momento decisivo para buscar conhecimento.

 

Por vários anos, Arlindo Santos conviveu com uma mancha branca próximo ao peito. Algo que não despertava muita curiosidade até ele resolver que cobriria o sinal com uma tatuagem, há cerca de cinco anos. Decisão que levou a uma importante descoberta: a hanseníase.

A mancha nunca havia incomodado. Após um banho de piscina, Arlindo percebeu o local mais avermelhado. Mas isto não fez com que procurasse ajuda médica. Foi em contato com um tatuador que ele foi aconselhado a não cobrir a mancha antes de descobrir o que ela poderia representar.

O que parecia ser uma simples ida ao médico virou uma longa jornada, resultando em dez consultas com diferentes profissionais. Conforme Arlindo, nenhum conseguiu chegar ao diagnóstico correto. Ele conta que, na décima primeira consulta, perguntou ao dermatologista se não seria possível realizar uma biópsia, buscando uma resposta mais precisa.

Com receio do resultado, Arlindo resolveu não buscar o exame na data marcada. Após alguns meses, o sentimento era de que não havia mais como fugir. Ele precisava saber o resultado. Veio a confirmação de que ele estava com hanseníase. Primeiro, o choque. Depois, o silêncio.

Lidando com a doença

Como muitas pessoas acometidas pela hanseníase, Arlindo passou pelo período de medicação sem revelar o diagnóstico a outras pessoas. Amigos, familiares, colegas de trabalho. Ninguém soube da doença no período do tratamento. “Foi uma decisão minha mesmo. Queria me curar logo e ficar livre disso, sem levar pra eles”, conta.

Depois de ser tratado e curado, ele diz se sentir mais confortável em falar sobre a vivência. Agora, ele acredita poder conversar mais abertamente sobre a hanseníase e espera conseguir ajudar pessoas que possam enfrentar a mesma luta.

Para ele, informar a população pode ajudar a combater o preconceito vivenciado por pessoas acometidas pela hanseníase.

Aos 42 anos, Arlindo trabalha como vigilante. No bairro Genibaú, é conhecido pelo trabalho na instituição Jiu-Jitsu Para Salvar Uma Vida. Além destas atividades, ele participa de um programa de rádio na comunidade e considera importante trazer o tema da hanseníase para a região, que concentra muitos casos da doença em Fortaleza.

“A mídia tem poder para desempenhar um papel de muita força nessa luta. Precisamos de campanhas, como temos para conscientização sobre o uso de drogas, sobre beber e dirigir, a importância da vacinação”, exemplifica.

Como desafios na convivência com a doença, ele aponta dificuldades de acesso à rede pública de saúde e um desconhecimento geral sobre a hanseníase. E considera ter tido sorte ao contar com um profissional que forneceu muitas orientações sobre a doença na unidade de saúde básica do bairro Genibaú.

Pesquisa

Na região, Arlindo foi uma das pessoas abordadas pelo estudo Conhecimentos, Atitudes, Práticas e Percepções Relativos à Hanseníase em Áreas Hiperendêmicas do Brasil (CAPP-Hans). Com grupos focais e abordagens individuais, a pesquisa é uma etapa específica do programa PEP++, coordenado pela NHR Brasil em Fortaleza, Sobral e Maracanaú.

A estratégia busca conhecer a percepção de pessoas acometidas, contatos, membros das comunidades e profissionais de saúde sobre a hanseníase, permitindo analisar aspectos sociodemográficos e percepções de distanciamento social e estigma.

O estudo é realizado em dois momentos para análise comparativa. O primeiro é feito antes do ensaio clínico do PEP++, com pesquisa posterior em um intervalo de 2 a 3 anos, tomando por referência o conjunto de intervenções previstas no projeto, com ações de informação, comunicação e educação em saúde, além da quimioprofilaxia.