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A relatora Alice Cruz (segunda à esquerda) está em visita oficial ao Brasil até o dia 14 de maio

A NHR Brasil participou de roda de conversa com a relatora especial das Nações Unidas para a Eliminação da Discriminação contra as Pessoas Afetadas pela Hanseníase e seus Familiares, Alice Cruz, na tarde da quarta-feira, 8. A organização levou dados sobre os projetos e estratégias realizadas no Brasil desde a década de 1990, período no qual a Netherlands Leprosy Relief (NLR) começou a apoiar ações de enfrentamento à hanseníase no País.

Alice Cruz faz visita oficial ao Brasil entre os dias 7 e 14 de maio, conversando com autoridades, organizações, movimentos e pessoas acometidas pela hanseníase, além de visitar antigas colônias para tratamento de pessoas que tiveram a doença, conhecendo a realidade e os desafios do convívio com a hanseníase no País. A visita resultará em um relatório com resultados e recomendações a serem apresentados no Conselho de Direitos Humanos da ONU.

O respeito aos direitos das pessoas acometidas pela hanseníase e seus familiares é um dos assuntos centrais em discussão na visita. Dentre os desafios a serem identificados, estão as dimensões da discriminação estrutural e interpessoal. A relatora também se reúne com organizações da sociedade civil para conversar sobre as estratégias para redução do estigma e desenvolvimento inclusivo, coletando informações e exemplos de iniciativas com boas práticas no cuidado integral da pessoa acometida. 

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No Rio de Janeiro, a NHR Brasil esteve representada por Rejane Almeida, assessora técnica da organização, e por Ximena Illarramendi, pesquisadora principal do projeto PEP++ no Brasil. A reunião também contou com a presença de Albanete Mendonça, coordenadora do projeto Reabilitação Socioeconômica no estado de Rondônia, acompanhada por Marizete Alves, pessoa acometida pela hanseníase e que é beneficiada pelas oficinas de gastronomia e biojoias em Rondônia, conseguindo alcançar melhores condições financeiras e enfrentando situações de estigma vivenciadas na própria comunidade.

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As experiências foram discutidas e apresentadas na reunião com a presença de outras representações, como a Brasil Saúde e Ação (Brasa), o Movimento de Reintegração de Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan), representantes de ex-colônias de Minas Gerais, da Comissão de Direitos Humanos da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) e do Painel de Homens e Mulheres Afetados pela Hanseníase da ILEP. O encontro foi realizado na sede da OAB do Rio de Janeiro. 

O grupo levantou pontos importantes no enfrentamento à doença no País, como a necessidade de melhor formação de profissionais de saúde sobre o tema, a reivindicação por indenizações para filhos separados do convívio dos pais devido à política de isolamento compulsório e exemplos de concursos e editais seletivos que discriminam pessoas acometidas pela hanseníase. Foi ainda pontuada a importância de incluir aspectos de saúde mental e da sexualidade nas diretrizes nacionais do autocuidado, promovendo estas discussões entre pessoas e famílias que convivem com a doença.