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Roda de conversa envolveu alunos de Design-Moda e equipe do projeto Design Inclusivo

Como identificar a hanseníase? Como a doença foi vista no passado? Quais as opções de tratamento? Perguntas como estas foram discutidas com alunos e professores do curso de Design-Moda, da Universidade Federal do Ceará (UFC). A roda de conversa foi promovida pelo projeto Design Inclusivo, que irá trabalhar com o desenvolvimento de calçados específicos para pessoas com hanseníase e deficiência em municípios do Ceará: Fortaleza, Redenção e Maracanaú.

A atividade “Conhecendo a Hanseníase para Promover Inclusão” começou nesta segunda-feira, 15 de abril. Outra roda de conversa será realizada no dia 29 de abril, com o foco em informações sobre incapacidades físicas, avaliação dos pés e o uso dos calçados adaptados, com suas relações com a segurança e a autoestima das pessoas com deficiências. O encontro ocorre no Instituto de Cultura e Arte (ICA), situado no campus do Pici.

A conversa é facilitada pela professora Paula Sacha Frota, orientadora da Liga Acadêmica em Doenças Estigmatizantes (Lades) e professora de Enfermagem na UFC. A partir dos tópicos trazidos, bolsistas do projeto Design Inclusivo e alunos do curso de graduação puderam debater a hanseníase em diversos aspectos, como o estigma, o isolamento em colônias e as formas de transmissão. O momento foi importante para compreender a necessidade dos calçados inclusivos para pessoas com incapacidades ou deficiências nos pés. Uma etapa para que o projeto possa futuramente produzir calçados que sejam confortáveis e atrativos esteticamente.

"Entendemos que, para os estudantes de moda envolvidos neste trabalho, seria muito importante que eles primeiro entendessem o que é a hanseníase. Como seria pensar um calçado para alguém que tem uma sequela por causa da hanseníase se eles não entendessem o problema principal? Como seria falar sobre hanseníase sem falar sobre inclusão e sobre estigma? Por isso hoje estamos aqui", contextualiza Fernanda Martins, coordenadora do projeto. 

Também estiveram presentes representantes do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) do município de Sobral. “Este é um momento ímpar. Temos aqui diversos olhares: a enfermagem, o design de moda, o movimento social, o profissional que está em contato direto com as pessoas. É uma grande oportunidade para melhorar a vida de quem precisa”, compartilhou Francisco de Assis Guedes, diretor do Centro de Convivência Antônio Diogo, antiga colônia no município de Redenção.

Conheça o projeto

Uma das dificuldades para as pessoas com deficiências e incapacidades decorrentes da hanseníase é o acesso a calçados que atendem às suas necessidades. Além do aspecto funcional para prevenir feridas e proporcionar conforto, a abordagem da moda inclusiva leva em conta a beleza e a promoção de autonomia para pessoas com deficiências. Assim, a proposta do Design Inclusivo começa a ser executada em 2019 para desenvolver calçados específicos e também capacitar pessoas para o ofício de sapateiro.  

O projeto é uma parceria da NHR Brasil com o curso Design-Moda da UFC, que articula ainda o trabalho com o Centro de Prótese e Órtese de Fortaleza (Ceprof) e o Centro de Convivência Antônio Diogo. Serão beneficiadas as pessoas que moram nas antigas colônias de Redenção e Maracanaú - este último representado pelo Centro de Convivência Antônio Justa - e pessoas atendidas no Centro de Dermatologia Dona Libânia, em Fortaleza.

Serviço

Segunda Roda de Conversa - Conhecendo a hanseníase para promover inclusão
Quando: 29 de abril, às 8h30min
Onde: Instituto de Cultura e Arte (ICA) - Sala HL203
Campus do Pici - Universidade Federal do Ceará (UFC)
Avenida Humberto Monte, s/n - Bairro Pici