Publicado em 6 de fevereiro de 2019

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Aos 65 anos, o pintor de construção civil José Rocha se emociona e diz que só quer voltar a trabalhar. Com dormências e neurites atingindo as mãos, ele já não tem condições de segurar as ferramentas. José havia sido diagnosticado há dois anos com hanseníase. Completou o tratamento, mas não recebeu respostas para os sintomas que vieram depois. Ao ver na televisão a reportagem sobre a ação do Janeiro Roxo no Centro de Fortaleza, juntou os documentos e resolveu ir tirar as dúvidas na Praça do Ferreira.

“Eu acho importante cuidar da minha saúde, ainda mais precisando de ajuda como agora. Contei a minha história, mostrei que eu não estou bem. Gostei muito do atendimento, espero que agora eu fique melhor”, relatou José. Ele foi encaminhado para um acompanhamento no Centro de Dermatologia Dona Libânia, unidade de referência em tratamento da hanseníase em Fortaleza.

A conversa sobre as dúvidas da população, testes dermatológicos e funcionais e a orientação para os atendimentos posteriores foram as estratégias da atividade realizada na manhã desta quarta-feira, 6, na praça. Além de profissionais e estudantes de enfermagem, o atendimento também foi feito por fisiterapeutas, terapeutas ocupacionais e assistentes sociais. Na estratégia, as pessoas com sinais e sintomas também tiveram acesso ao teste dermatológico e funcional em trailer do Conselho Regional de Fisioterapia e Terapia Ocupacional da 6ª Região Ceará (Crefito-6).

A ação foi articulada pela Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa-CE) e Crefito-6, com apoio da NHR Brasil, da Liga Acadêmica em Doenças Estigmatizantes (Lades-UFC), da Prefeitura de Fortaleza, do Centro de Dermatologia Dona Libânia, Grupo de Amigos e Portadores de Hanseníase (GAPH) e Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan).

Informar é estratégia

“A prevenção da hanseníase é a informação”, enfatizou Gerlânia Martins, articuladora estadual do Programa da Hanseníase no Ceará, vinculada à Sesa-CE. “Fazendo isso hoje aqui na praça, a gente já possibilitou uma melhoria muito grande nesse diagnóstico precoce. A gente já viu aqui que a população tem muita carência de informação adequada quanto à questão do controle da hanseníase no nosso Estado”, acrescentou. Ela reforça que o desconhecimento sobre a hanseníase acarreta tanto situações de exclusão social como a demora em procurar os serviços de saúde.

A parceria entre as instituições no combate à hanseníase deve se estender além do Janeiro Roxo, defende Flavio Feitosa, diretor-tesoureiro do Crefito-6 e professor do Centro Universitário Unichristus. “O nosso papel é fazer a prevenção das doenças negligenciadas e, na hanseníase, fazer principalmente a prevenção de incapacidades físicas. O objetivo maior é a inserção de profissionais de fisioterapia e terapia ocupacional na atenção básica para este trabalho”, comentou Feitosa.

Durante a ação, as estudantes de enfermagem Gabriella Farias e Lara Plutarco eram algumas das representantes da Lades-UFC que abordavam a população ou acolhiam aqueles que chegavam com dúvidas. “A gente procura conversar perguntando sobre o que eles conhecem da doença. Buscamos adotar uma linguagem mais popular. É importante porque as pessoas passam a conhecer e podem levar isso para as famílias, os ambientes de trabalho”, relatou Gabriella. No início da manhã, o grupo de estudantes percorreu a praça para conversar sobre a doença com as pessoas em situação de rua.

A programação do Janeiro Roxo no Ceará se estende até o dia 23 de fevereiro. Confira outras atividades agendadas no Estado.