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Representantes do Brasil, da Índia, Indonésia, Nepal e Moçambique se reuniram no fim de maio para o debate sobre linhas prioritárias de atuação.

A troca de experiências e a definição de objetivos comuns foram os elementos centrais dos workshops internacionais realizados no Nepal com a presença dos cinco países apoiados pela Netherlands Leprosy Relief (NLR), organização não-governamental holandesa. Com discussões e visitas de campo, as reuniões contaram com representantes da NLR no Brasil, Índia, Indonésia, Nepal e Moçambique, além de instituições parceiras e de membros da equipe da NLR na Holanda.

Para uma atuação conjunta nos países apoiados, a NLR estruturou quatro Programas Prioritários Chave (Key Priority Programmes - KPP). No Nepal, os workshops foram específicos para dois destes programas. A primeira reunião ocorreu entre os dias 23 e 25 de maio para discussões sobre o KPP 1, que traça estratégias para a quebra da cadeia de transmissão da hanseníase. De 27 a 30 de maio, a segunda reunião tratou do KPP 2, que busca desenvolver abordagens integradas para prevenção de deficiências.

 

Quebra da transmissão da hanseníase

A lógica dos programas prioritários permite que iniciativas semelhantes sejam realizadas nos países apoiados pela NLR. Para a primeira linha de atuação, o objetivo é interromper a cadeia de transmissão da doença, conseguindo prevenir novos casos da doença e promover o diagnóstico precoce nos territórios trabalhados. A atuação conjunta para esta linha foi iniciada em 2017.

Uma das ações é o projeto PEP++, estudo multicêntrico internacional a ser iniciado no Brasil, na Índia e na Indonésia. A estratégia é a quimioprofilaxia em regime reforçado para contatos de pessoas atingidas pela hanseníase em comunidades endêmicas. As atualizações do projeto foram compartilhadas durante o encontro do KPP 1, com o andamento dos protocolos de pesquisa e etapas dos estudos iniciais nos três países.

Também o projeto LPEP, apoiado pela NLR na Índia, na Indonésia e no Nepal, foi discutido entre os participantes. A administração de dose única de rifampicina para os contatos de casos de hanseníase foi observada em visitas de campo e discutida pelo grupo. Dos debates e apontamentos, os representantes de organizações e escritórios da NLR foram chamados a refletir sobre as possibilidades e desafios para a operacionalização de projetos em cada país.

Dentre as iniciativas, o grupo demonstrou interesse pela abordagem do diagnóstico com suporte de um aplicativo. O SkinApp, projeto piloto em execução em Moçambique, permite que profissionais de saúde sejam orientados para a suspeição ou identificação de casos de hanseníase a partir das informações disponibilizadas sobre os sinais da doença e a condução dos exames. No país africano, os executores do projeto resolveram complementar o trabalho criando um grupo de mensagens instantâneas para tirar dúvidas de equipes da assistência. O projeto deverá passar por atualizações e melhorias antes de ser expandido para os demais países.

Do Brasil, destacou-se a ideia do projeto Ações Inovadoras, que tem início em 2018 para a busca ativa de casos entre homens acima de 60 anos de idade. A iniciativa está sendo articulada nos municípios de Eunápolis (Bahia) e Cacoal (Rondônia), envolvendo capacitações, campanhas de conscientização e parceria com lideranças e serviços locais.

As discussões sobre ações em andamento e em planejamento nos cinco países tiveram o objetivo de elencar prioridades para os próximos anos dentro do KPP 1. Para as instituições representadas no workshop, a capacitação de profissionais de saúde para lidar com a doença e o mapeamento de casos foram alguns dos pontos levantados como desafios a serem enfrentados nos próximos anos.

 

Abordagens integradas e prevenção de deficiências

O primeiro workshop internacional sobre o KPP 2 teve duração de quatro dias com discussões sobre abordagens integradas da hanseníase com outras doenças e estratégias para a prevenção de deficiências e sequelas. Os cinco países representados partilharam as atividades dentro destes temas para a discussão de possíveis intervenções conjuntas.

Os dias de debate permitiram o levantamento dos principais desafios e de boas práticas dentro do tema. Para as estratégias do autocuidado em hanseníase, por exemplo, uma das dificuldades expostas entre os participantes foi em alcançar pacientes ainda durante o tratamento da doença, orientando as pessoas atingidas pela doença sobre os cuidados com o corpo antes do surgimento de sequelas. A vigilância dos casos de hanseníase após a alta do tratamento também foi vista como uma medida a receber atenção especial nos países.

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Dentre as boas práticas abordadas, estavam a integração de atividades para pessoas atingidas pela hanseníase e pela filariose linfática, com estratégias combinadas para o autocuidado em países como Índia e Moçambique. As iniciativas estimuladas pela NLR visam trabalhar com a hanseníase e outras doenças negligenciadas, ajudando também na integração de serviços de saúde e permitindo a troca de saberes entre as pessoas atingidas.

Durante a programação, os participantes fizeram visitas de campo para conhecer iniciativas do Nepal. No Comitê de Ajuda às Pessoas com Deficiência de Damak, no distrito de Jhapa, o grupo conferiu o trabalho de geração de renda para pessoas com deficiência e seus familiares, com cursos de costura. O modelo de cooperativa para a produção dos membros da comunidade e a articulação política pelos direitos da pessoa com deficiência no nível nacional também foram aprendizados discutidos pelos participantes após a visita.

O acesso dos pacientes aos serviços e o cuidado com as feridas dos pés também foram tópicos abordados em visita ao Koshi Zonal Hospital, unidade que recebeu financiamento da NLR no país asiático.

Dentre os resultados do workshop, foram definidos temas prioritários a serem planejados para 2019: a definição de protocolos e diretrizes para o autocuidado integrado, mapeamento de casos com deficiência vinculada à hanseníase, monitoramento de indicadores para a prevenção de deficiências, empoderamento das pessoas atingidas e pesquisas sobre o impacto econômico das deficiências vinculadas às doenças tropicais negligenciadas.