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Campanha estimula público masculino identificar os sinais da hanseníase e buscar tratamento

Cartaz-hanseníase-MSMinistério da Saúde lança campanha com mensagens em alusão ao Janeiro Roxo com foco voltado para os homens, que concentram as maiores taxas de detecção da doença.

A orientação é simples: ao descobrir manchas dormentes na pele, a pessoa deve buscar o posto de saúde para identificar se tem hanseníase. Se o diagnóstico for confirmado, deve iniciar o tratamento gratuito na rede pública. O caminho leva à cura da doença e constitui o centro da Campanha do Dia Mundial de Luta Contra a Hanseníase, lançada no dia 31 de janeiro pelo Ministério da Saúde. O slogan resume o fluxo: Hanseníase. Identificou. Tratou. Curou.

As peças elaboradas para a campanha colocam os homens em evidência neste processo de descoberta. Estatisticamente, são eles os mais atingidos no Brasil. Dados preliminares para o ano de 2017 apontam que os homens tiveram maiores taxas de detecção em comparação às mulheres em todas as faixas etárias. Para casos diagnosticados com grau 2 de incapacidade (deficiências visíveis nas mãos, pés e olhos), há também predomínio de pacientes do sexo masculino. Nos dados entre 2012 e 2016 no Brasil, segundo boletim epidemiológico divulgado pelo Ministério da Saúde: a taxa de detecção foi de 15,17 casos por 1 milhão de homens, enquanto a taxa do sexo feminino foi de 6,07 casos para cada 1 milhão de mulheres. 

O lançamento oficial da campanha, realizado no município de Belém (PA), contou com a presença do ministro da Saúde, Ricardo Barros, e com representações de governos, sociedade civil e movimentos sociais. Esta integração de forças foi ressaltada durante a solenidade como estratégia eficaz para o combate à doença no Brasil. Com mais de 24 mil novos casos em 2017, o País tem oito estados listados como hiperendêmicos ou com parâmetro muito alto para casos de hanseníase

A situação evidenciada nos dados é diferente da realidade desafiadora percebida em campo, detalhou Carmelita Ribeiro Filha, coordenadora da Coordenação Geral de Hanseníase e Doenças em Eliminação (CGDHE). Conforme relatou durante apresentação, 49% dos municípios brasileiros não registraram diagnóstico de hanseníase em 2017. Para o ministro Ricardo Barros, há grande semelhança entre o mapa da hanseníase e o mapa da pobreza no Brasil, apontando maior incidência da doença em áreas onde há maior vulnerabilidade social.

Uma das estratégias para interromper a transmissão da hanseníase é realizar o exame dos contatos sociais das pessoas atingidas pela doença. Na solenidade, Carmelita Ribeiro solicitou a colaboração dos gestores estaduais, municipais e profissionais de saúde na busca destes contatos. Isto porque a doença é transmitida por pessoas que não estão em tratamento por meio de gotículas expelidas na fala, na tosse e no espirro. Assim, examinar pessoas que conviveram ou tiveram contato prolongado com os casos confirmados é uma forma de rastrear a doença e promover o diagnóstico precoce.

Esforço conjunto

Um pacto entre União, estados, municípios e sociedade é fator determinante para o combate à hanseníase, comentou o governador do Pará, Simão Jatene. Ideia também defendida pelo prefeito de Belém, Zenaldo Coutinho. “É um compromisso de modernidade, de justiça social”, resumiu o prefeito ao falar sobre a incidência em áreas mais pobres e o estigma associado à hanseníase.

Quanto mais informação chegar ao maior número de pessoas em regiões carentes, melhor. A opinião é do estivador Wagner Pereira, de 53 anos, que participa das atividades do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (Morhan) e reside no município de Marituba, a 11 quilômetros de Belém. A mãe dele, falecida há dois anos, foi atingida pela doença. Para Wagner, a mensagem básica é a que mais precisa chegar à população: a de que o cidadão tem direito ao tratamento e deve procurar as unidades de saúde assim que perceber o surgimento de manchas na pele com alteração da sensibilidade.

“Em vez de discriminação, as pessoas e comunidades afetadas por essa doença precisam de nosso respeito, compreensão e apoio”, declarou Joaquín Molina, representando a Organização Pan-Americana da Saúde/Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). Ressaltando que a diminuição do número de casos novos nas Américas (redução de 26% entre 2011 e 2016) não elimina o problema, Molina defendeu que o enfrentamento à doença exige recursos financeiros adicionais e mais compromisso político.

A solenidade contou ainda com representação de deputados federais, do Conselho Nacional das Secretarias Municipais de Saúde (Conasems), do Conselho de Secretarias Municipais de Saúde do Estado do Pará (Cosems-PA), da Sociedade Brasileira de Hansenologia (SBH) e da Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD). 

 

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